Quando a IA começa a consumir os recursos do planeta

01 outubro 2026

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“Centros de dados perto de casa? Nem pensar!” À medida que se aproximam as eleições intercalares nos Estados Unidos, os centros de dados, altamente impopulares junto da população, estão a criar um raro ponto de consenso entre candidatos republicanos e democratas. De facto, pensa-se que 70% dos americanos se oponham à construção de um centro de dados na sua área de residência. É um paradoxo notável, numa altura em que está em curso a revolução da inteligência artificial (IA) e em que poucos conseguem ver a vida sem um agente como o ChatGPT.


Esta onda é tão poderosa que está a relegar para segundo plano as preocupações com o aumento da dívida nos países desenvolvidos, ao mesmo tempo que contribui com até 25%1 para o crescimento do PIB dos EUA – um nível sem precedentes. Também é acompanhada por um acentuado aumento nas despesas relacionadas com a IA (software, TI, I&D e centros de dados), que representam agora 8% do PIB dos EUA1.


A Reserva Federal (Fed) de Dallas estima que o crescimento dos centros de dados poderá agravar os custos da eletricidade entre 20% e 50% até 2028. Este agravamento cria, por seu lado, riscos relacionados com a água, uma vez que a refrigeração das centrais elétricas exige milhares de milhões de litros de água. As centrais nucleares representam mais um motivo de preocupação, já que podem aumentar a temperatura dos rios quando utilizam água na refrigeração dos seus equipamentos e na dissipação do calor, podendo ser obrigadas a reduzir a produção ou, mesmo, a encerrar quando as temperaturas se tornam demasiado elevadas, como voltou a acontecer na Europa este verão.


O ano de 2026 já se está a revelar um ano recorde em termos de calor a nível global. Segundo o Copernicus, o programa europeu de observação da Terra, é provável que a humanidade não tenha vivido temperaturas tão elevadas nos últimos 100 mil anos.

No entanto, o pior nunca é uma certeza, e as inovações tecnológicas podem trazer soluções. Um exemplo é uma nova start-up francesa, presente na edição deste ano da VivaTech2 em Paris, que apresentou um processo inovador de desenvolvimento de centros de dados biológicos utilizando ADN sintético, o que possibilitaria uma redução significativa, se não mesmo a eliminação, dos desafios relacionados com o consumo de eletricidade e de água. Esta inovação poderá constituir uma verdadeira mudança de paradigma, especialmente à luz de grandes projetos de centros de dados norte-americanos, como o Stratos, que deverá ocupar 160 km², o equivalente à área do Principado do Liechtenstein.


Num ambiente complexo marcado por tensões geopolíticas, nomeadamente em torno do Estreito de Ormuz, pelos elevados níveis de endividamento dos países desenvolvidos, por dúvidas quanto à credibilidade dos bancos centrais, por incertezas associadas a eventos eleitorais importantes, como as eleições intercalares nos EUA ou as eleições presidenciais francesas do próximo ano, e, claro, pelas catástrofes naturais relacionadas com o aquecimento global, as pressões inflacionistas continuam orientadas em alta, levando os bancos centrais a manter as taxas diretoras inalteradas ou mesmo a aumentá-las.


Porém, não antecipamos um ciclo sustentado de subidas das taxas por parte dos principais bancos centrais e prevemos que a inflação se normalize no próximo ano. Mantemos uma visão positiva relativamente às ações e pensamos que, neste contexto, continuam a existir oportunidades atrativas. Mais do que nunca, poderá contar com o apoio da nossa equipa de especialistas.
No nosso relatório especial deste mês, abordaremos em pormenor o tema “Pegada ambiental da IA: por que motivo é importante” (página 8). 

 

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1 Estimativa da Bloomberg.
2 A VivaTech, um dos principais certames consagrados à tecnologia e à inovação na Europa, é realizado anualmente em Paris. Reúne start-ups, grandes empresas, investidores, investigadores e decisores políticos para apresentar tecnologias emergentes, trocar ideias e explorar as últimas tendências que moldam o futuro dos negócios e das sociedades.

 

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Monthly House View, 19.09.2026. - Excerpt of the Editorial

01 outubro 2026

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